Esse conto tem uma temática infantil, estou apenas explorando esse universo que é maravilhoso. Simplesmente amo estórias que nos passam um ensinamento de valor moral, principalmente aquelas que nos mostram como podemos ser pessoas melhores, ou que nos mostram coisas erradas que existem no mundo e com pequenos atos e gestos podemos mudá-lo e melhorá-lo. Sinceramente, espero que gostem. Leiam seguindo a postagem. Boa leitura!
Queria ter um Nome
Ela veio a esse mundo de maneira rápida,
nascida no quintal da casa dos donos da sua mãe, uma cadela da raça pastor
alemão. Uma raça de cachorro conhecida por ser muito forte e inteligente. A
cadela estava sentindo dores e correu para sua pequena casinha, era uma noite
fria, lá seria um bom lugar para esperar a chegada de seus filhotinhos. Um por
um, eles foram saindo, mesmo dolorido, ela apenas se importava em ver que todos
estavam bem e seguros ao seu lado. Foi uma noite longa e fria, mas a mamãe
manteve seus filhotes juntinhos e aquecidos, ela estava muito satisfeita e os
lambia constantemente para limpá-los, já que eles ainda estavam sujos por causa
do parto.
O dia
amanheceu e a mamãe ainda receosa de deixa-los sair da casinha, ficava
bloqueando as tentativas cegas deles de sair de lá, ainda estavam muito frágeis
para o mundo lá fora, segurava eles com a boca e os colocavam para dentro de
novo e de novo. Mamavam com muita vontade, alguns já arriscavam os primeiros
passos, são espertos e aprendem rápido, eles queriam mesmo explorar tudo o que
pudessem e o que a mamãe permitisse. Os donos deles haviam viajado, estavam de
férias, os cachorros foram deixados aos próprios cuidados, tinha bastante
comida e água, o suficiente para vários dias. Mas ninguém esperava que
acontecesse essa chegada de novos cachorrinhos, o quintal é enorme e ocupada
por mais um cachorro, o irmão da cadela recém-mamãe. Esse cachorro era muito
feroz e por isso o mantinham amarrado à coleira, mas ele não cansava de tentar
se soltar, era muito perigoso sempre que isso acontecia, ele machucava até a
própria irmã com brincadeiras violentas, mas dias se passaram e ele nem notou
que tinha mais cachorrinhos ali, justamente porque a mamãe cadela estava sendo
muito cuidadosa.
Mais dias se
passaram e os cachorrinhos já estavam mais fortes e mais espertos, conseguiam
andar sozinhos e isso era muito preocupante porque eles queriam explorar todo o
quintal, a mamãe cadela já não dava mais conta de impedir todos ao mesmo tempo,
são cinco deles e ela só uma, era complicado. Até o dia em que um deles
apareceu aos olhos do cachorro que estava amarrado, então tudo mudou. O
cachorro tentava loucamente se soltar da coleira, chegou a se machucar para
conseguir isso e conseguiu. Ele partiu correndo para cima de um dos pequeninos que não resistiu, morreu rápido demais, a mordida do cão era devastadora. A mamãe
cadela correu para cima dele e lutou, lutou com todas as suas forças, mas ela
não era páreo para ele. Ele se livrou dela e matou mais um, mais outro e outro.
A mamãe cadela não teve tempo de mais nada, apenas pegou com a boca o filhote
que estava mais próximo dela e correu para o portão do quintal, colocou o
filhote embaixo do portão e de tão pequeno ele passou para o outro lado, ela
latia desesperadamente, não se sabia se era para chamar atenção de alguém que
pudesse ajudar ou se era para afugentar o seu último filhote de lá, para que
ele se salvasse.
Um fim trágico
para os seus irmãos e um destino incerto da sua mãe, o último ato de sua mãe
foi de salvar nem que fosse apenas um de seus filhotes e ela conseguiu. Só não
sabia que era a sua única fêmea, os outros filhotes eram machos e infelizmente
foram mortos injustamente. A pequena sobrevivente agora vivia na rua, não tinha
nada, nem ninguém por ela. Uma vida solitária e muito imprevisível. Tinha dias
que conseguia comida de algumas pessoas, mas tinha dias que era só desprezo,
fome e uma busca sem fim em lixos e lixeiros que encontrasse em seu caminho.
Alguns outros cachorros de rua não ligavam para sua presença, porém existiam
outros que disputavam território e expulsavam com mordidas e latidos qualquer
cão que tentasse invadir o seu espaço. Tudo o que ela queria e sonhava era ter
um dono que a amasse e a protegesse de qualquer mal, como a sua mamãe cadela
fez. Ela nunca chegou a conhecer os donos da sua mãe e isso só fazia aumentar a
sua curiosidade sobre ter uma vida com um bom dono que a cuidasse bem. Sua vida
se resumia a tentar sobreviver e manter esse pequeno sonho como objetivo.
Estava à frente de uma padaria tentando achar comida pelo chão quando foi
escorraçada a chutes por um homem, ela correu dali o mais rápido que conseguiu,
eram atos como esse que a fazia pensar se era possível o seu sonho, saindo de
lá, ela sentiu dores muito fortes na barriga e havia dias que tinha notado sua
barriga ficando inchada. Algo a dizia que aquilo era grave, não sentia mais
fome como era antes e passava muito tempo dormindo ou fraca demais para se
levantar, até que um dia um rapaz ia passando na rua e a viu deitada no canto
de uma calçada, isso o fez parar, mas só olhou por um momento e foi embora,
seguiu seu caminho. Ela, por um breve instante, pensou que tudo podia mudar
ali, porém ele foi embora, mais um humano que não liga para sua existência e
ela sabia em seu coração que não viveria muito, aquilo só a deixou mais ainda
triste. Em sua derrota contra a luta de se manter viva, ela só queria dormir e
esperar que tudo aquilo acabasse logo. Já tinha esgotado toda a sua esperança,
seu destino era a morte e não tinha mais nada que ela pudesse fazer. Então
fechou os olhos e adormeceu.
“A morte não
deve ser assim tão ruim, estou sendo carregada por alguém, só sei que são mãos
de humano... Nossa, que dor na barriga ainda. E que gosto ruim na boca, acho
que me deram algo para beber. Hum... Ainda não consigo abrir os olhos, agora
que me colocaram em um lugar fofinho, vou dormir mais. Isso só pode ser o
céu...”, assim ela pensava. Quando abriu os olhos, estava se sentindo melhor e
percebeu que estava dentro de uma caixa de papelão grande, tinha uma almofada e
só, começou a ficar inquieta, não sabia onde estava, nem se estava segura,
ficou desesperada tentando achar uma saída. Até que um rosto familiar apareceu
em sua vista, era o rosto do rapaz que tinha visto da rua. Naquele mesmo dia,
ele voltou lá para buscá-la. Agora ali está ele, com uma tigela de leite na mão
e um sorriso enorme. E ele diz: “Seja bem-vinda, Akira!”.
FIM
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