Mais um conto sendo publicado com o maior carinho que podemos oferecer. Esse em especial, tem um toque sensível da poesia e do simbolismo mais sincero do entendimento de como funciona o mundo através dos olhos de uma criança. Espero que gostem. Apreciem o conto logo a seguir no post.
Linhas
Sofia
é uma criança de 12 anos, muito esperta, atenta e questionadora, porém só fala
nas horas que realmente acha necessário. Portanto, sempre diz algo certo para cada
ocasião.
Um
dia, depois da escola, Sofia para no meio do caminho e senta num banco de praça,
não demora muito para ela observar as pessoas que passam ao seu redor. Essas
pessoas da qual falo são em sua maioria os adultos, daqueles do tipo
trabalhadores, apressados demais que não tem tempo para nada, mas tem tempo para
tudo, se é que me entende.
O
que será que ela vê? Afinal uma criança de 12 anos não tem muitas experiências
de vida. Mas uma criança possui uma sensibilidade quase que inexistente em
alguns adultos.
O
pai da menina é um empresário, sim, ele pode ser perfeitamente encaixado numa dessas
pessoas que citei acima, tem tempo para tudo, menos para o mais importante da
vida, as pequenas coisas. A mãe dela também pode ser encaixada nesse perfil,
mas ela não foi sempre assim. Era administradora numa pequena empresa, uma
mulher que levava uma vida num estilo mais simples, parou de trabalhar quando
casou com o pai de Sofia, supostamente para cuidar da casa e da única filha. Infelizmente,
às vezes, a vida prega peças nas pessoas.
Hoje,
a mãe de Sofia tem tudo o que sempre quis e muito mais: o próprio motorista,
uma equipe de empregados, um apartamento no bairro nobre da cidade, carro de
luxo, cartão de crédito sem limites... Mesmo assim, Sofia já presenciou muitas
brigas entre seus pais e nunca deixou de se perguntar o porquê de tanta
discussão, se nada os faltava. Nada financeiramente ou materialmente. Como
disse antes, ela é uma menina muito curiosa e sábia, mesmo tendo pouca idade.
Voltando
à praça, ela passou alguns minutos observando tudo e todos ao seu redor e
percebeu que o mundo era cinza. As pessoas que a cercava naquele momento
estavam dentro de bolhas, das quais nada se vê de dentro, só vê quem está de
fora. Então quando apareceu um casal de mãos dadas, eles não estavam dentro de
bolhas, o que ela viu foi uma linha, como se fosse lã, ligando uma pessoa à
outra. Sem pensar, Sofia seguiu aquele casal e deu de cara com várias outras
pessoas também ligadas por linhas imaginárias, aquilo a intrigou de tal maneira
que ela tomou coragem de sair em busca de mais pessoas pela cidade, não se
importando se estavam em bolhas ou ligadas por linhas.
Dias
se passaram desde a observação na praça, então ela passou a sua atenção para
dentro de casa, notando que seus pais viviam cada um em suas bolhas e com uma cor
diferente, era cinza escuro quase preto. Nesse momento, ela realizou o
significado de tudo isso, aqueles que eram destinados a se encontrarem tinham
uma linha conectando um ao outro. Sofia foi ao seu quarto e se olhou no
espelho, ela não possuía linha alguma, ainda. Pelo menos também não vivia numa
bolha escura, na verdade, não possuía bolha alguma.
FIM
Sofia: Grego, significa sabedoria. Apesar de ser um pouco dispersiva, consegue resolver adequadamente seus problemas. Seu sucesso profissional irá depender de muito esforço. Convém ter sempre uma tarefa para manter-se ocupada.
Autora: Emília Lima.
Texto revisado por: Jéssica Fidélis.
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS
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