Essa será nossa primeira estória publicada, um pequeno conto. Amo a simplicidade de um conto e esse expressa bem um desejo de infância, a vontade de ter seu sonho realizado, a inocência e a coragem que move o curso da vida de uma criança. Seguindo na postagem, leiam. Espero que gostem.
"O Mar de uma Menina"
Mais
um dia começando, o sol ainda nem aparece. Ela se acorda com um cheiro bom de
café sendo feito, ao abrir os olhos, a primeira coisa que faz sempre, vira o
rosto e ver a foto de sua mãe no banquinho ao lado de sua cama, é uma foto
linda, sua mãe está sorridente em uma praia e ao fundo dar para ver o mar, água
a perder de vista. Isso sempre lhe encoraja a levantar e enfrentar mais um
longo dia. Seu quarto fica perto da cozinha, quando se levanta e chega lá, não
tem ninguém, apenas sua pequena cozinha vazia, em cima da mesa tem um prato com
uma fatia generosa de bolo de milho e uma xícara de café ainda fumegante.
Significa que seu pai já estava acordado, cuidando dos seus afazeres antes de
ir trabalhar. A porta da sala estava aberta, então de lá da cozinha dava para
vê-lo em seu cavalo passando pela porteira. Ele é peão e trabalha o dia inteiro
em outras fazendas, tendo que sair antes mesmo do sol nascer. Seu pai tem
apenas 30 anos, se dedica muito ao trabalho para tentar não deixar faltar nada
para eles em sua casa. Sempre ele a olha depois que passa da porteira, com a
mão no chapéu de couro, faz um gesto de despedida e vai embora. Ela ainda o
consegue ver por causa da luz fraca do amanhecer. Ele é um bom pai, ignorante e
fechado, mas isso é bem justificável, ser viúvo muito jovem é algo muito
difícil de superar. Sua mãe faleceu em um acidente, uma fatalidade
irremediável. De família, só sobrou os dois mesmo, um rapaz com um bebê para
criar. E ele consegue, hoje ela é quem o ajuda em praticamente tudo, cuidando
principalmente das obrigações no sítio, mesmo tendo apenas 11 anos. Uma menina
devota, cumpridora de suas obrigações.
Logo após tomar seu café-da-manhã, corre em seu serviço para fazer tudo antes de ir para escola. Ao terminar, toma um banho rápido, arruma sua mochila e vai buscar sua mulinha na roça. Ela faz tudo isso com muito amor, ama demais viver naquele pequeno sítio, todos lá são seus companheiros do dia-a-dia, mas sua mulinha e seu cachorro são seus melhores amigos, seus companheiros de jornada. A escola fica a quilômetros de onde mora por isso tem que ir cavalgando. Ela sempre vai, não importa as dificuldades que enfrente no caminho. A seca é devastadora para quem vive no sertão nordestino, a menina ama sua vida lá, mas odeia presenciar as consequências da seca. Então um sonho cresce em seu coração, pensando na foto de sua mãe, ela queria mesmo é conhecer o mar. Depois de assistir suas aulas, hora de voltar, o sol está quente demais, ela se apressa e decide tomar um atalho. Seguindo o seu caminho, ela escuta um som baixinho de alguém falando, ao encontrar de onde vem o som, se depara com uma imagem chocante. Um velho encostado em uma árvore seca e uma vaca muito magra caída ao seu lado. A menina vai socorrer rapidamente, mas já é tarde demais, a vaca está morta e o velho morrendo. Ele consegue dizer algumas palavras, explicando que não tinha ninguém na vida, andava por aí tentando vender sua última vaca, mas a fome e a sede venceram os dois e a única coisa que ele queria era ter a dignidade de ser enterrado, apenas isso. Mal termina de falar e morre nos braços da menina. Ela, chorando muito, cava com as próprias mãos o mais fundo que consegue e o enterra lá mesmo.
A revolta toma todo o seu coração inocente e corajosamente decide ir em busca do mar de seu sonho, de encontrar muita água, água suficiente que possa ajudar e melhorar a vida de todos que sofrem na seca do sertão. Monta sua mulinha e muda de direção, rezando por uma iluminação divina para que a guiasse pelo caminho certo, tendo apenas sua mulinha e seu cachorro de companheiros. Em um longo trecho de sol quente, fome e sede, tentando resistir o máximo que pode, ela desmaia em cima do lombo de sua mulinha, mesmo assim a mulinha não para, continua seguindo viagem. Até que a menina sente o impacto do seu corpo ao cair no chão, mas só abre os olhos quando seu cachorro a lambe no rosto. Percebe que está sobre areia fofa e úmida, já emocionada ela levanta o seu olhar, vislumbrando uma paisagem linda de um mar mais que perfeito e muita, muita água. Água a perder de vista. E lá estava maravilhada, encontrou o seu mar.
Logo após tomar seu café-da-manhã, corre em seu serviço para fazer tudo antes de ir para escola. Ao terminar, toma um banho rápido, arruma sua mochila e vai buscar sua mulinha na roça. Ela faz tudo isso com muito amor, ama demais viver naquele pequeno sítio, todos lá são seus companheiros do dia-a-dia, mas sua mulinha e seu cachorro são seus melhores amigos, seus companheiros de jornada. A escola fica a quilômetros de onde mora por isso tem que ir cavalgando. Ela sempre vai, não importa as dificuldades que enfrente no caminho. A seca é devastadora para quem vive no sertão nordestino, a menina ama sua vida lá, mas odeia presenciar as consequências da seca. Então um sonho cresce em seu coração, pensando na foto de sua mãe, ela queria mesmo é conhecer o mar. Depois de assistir suas aulas, hora de voltar, o sol está quente demais, ela se apressa e decide tomar um atalho. Seguindo o seu caminho, ela escuta um som baixinho de alguém falando, ao encontrar de onde vem o som, se depara com uma imagem chocante. Um velho encostado em uma árvore seca e uma vaca muito magra caída ao seu lado. A menina vai socorrer rapidamente, mas já é tarde demais, a vaca está morta e o velho morrendo. Ele consegue dizer algumas palavras, explicando que não tinha ninguém na vida, andava por aí tentando vender sua última vaca, mas a fome e a sede venceram os dois e a única coisa que ele queria era ter a dignidade de ser enterrado, apenas isso. Mal termina de falar e morre nos braços da menina. Ela, chorando muito, cava com as próprias mãos o mais fundo que consegue e o enterra lá mesmo.
A revolta toma todo o seu coração inocente e corajosamente decide ir em busca do mar de seu sonho, de encontrar muita água, água suficiente que possa ajudar e melhorar a vida de todos que sofrem na seca do sertão. Monta sua mulinha e muda de direção, rezando por uma iluminação divina para que a guiasse pelo caminho certo, tendo apenas sua mulinha e seu cachorro de companheiros. Em um longo trecho de sol quente, fome e sede, tentando resistir o máximo que pode, ela desmaia em cima do lombo de sua mulinha, mesmo assim a mulinha não para, continua seguindo viagem. Até que a menina sente o impacto do seu corpo ao cair no chão, mas só abre os olhos quando seu cachorro a lambe no rosto. Percebe que está sobre areia fofa e úmida, já emocionada ela levanta o seu olhar, vislumbrando uma paisagem linda de um mar mais que perfeito e muita, muita água. Água a perder de vista. E lá estava maravilhada, encontrou o seu mar.
FIM
Autora: Jéssica Fidélis.
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS
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