Translate

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Esse conto tem uma temática importantíssima.

Um conto que tem uma lição a ensinar, uma experiência a ser passada adiante porque pessoas precisam aprender com esse exemplo. Através da escrita esse texto expressa o que é amar com dedicação, não importando o quão difícil seja a situação. Espero que entendam bem a mensagem, é curtinha e emocionante, vale muito a pena ler. Confiram seguindo na postagem, boa leitura à todos.


Uma Saudade, Uma Razão


                Meus pais eram viciados em crack e se perderam nesse mundo das drogas, nunca mais tivemos notícias, acredito que a morte é a explicação para o desaparecimento deles. Eu tinha apenas alguns meses de vida quando minha avó foi me buscar no barraco onde meus pais moravam, ela brigou com eles, lutou e me tirou dos braços da minha mãe. - Deixem essa criança comigo! - Desesperada, pediu. - Se quiserem acabar com suas vidas, podem ir, não tentarei mais impedi-los! Mas essa criança será criada por mim!

                Não sei o que eu seria sem a minha avó. Ela era uma pessoa digna, honesta e que sempre lutou por quem amava. Salvou a minha vida, tentou salvar meus pais, porém o caminho deles não tinha mais volta e mesmo assim ela tentou. A vida é tão injusta, principalmente com aqueles que não merecem sofrer, nunca entendi essa lógica da existência humana. Gratidão não seria suficiente, ela merecia muito mais. Eu passei pela pior experiência que existe, senti a dor de perder alguém, aquela que era minha única família, meu alicerce, minha avó. Não sei como lidar com isso até hoje, nem como ocupar o vazio que ela deixou em meu coração, isso não tem cura, exatamente como a doença que ela teve. Alzheimer.

                Tudo começou com pequenos esquecimentos, que ela alegava ser por causa da idade avançada, depois algumas confusões de não saber onde estava e se irritava do nada, a mudança foi ocorrendo aos poucos, ela já não era a mesma de antes. Sempre a obrigava ir ao médico, ele também achou que fosse a sua idade avançada, até que expliquei os sintomas. Vários testes foram feitos e confirmou que ela tinha essa maldita doença. Aquela notícia chegou a mim como um soco no estômago. Era tratável, foi o que me disseram. Porém já não ouvia mais o que falavam. A pessoa que me ensinou a andar, a falar... Iria morrer aos poucos. “Degenerativa” foi a palavra que usaram, um eufemismo para “definhar até morrer”.

                Os dias passavam e apenas me restava o pesar, a saudade. Poucos eram os momentos de lucidez que ela tinha, era como se seu relógio vital estivesse cronometrando ao contrário, estava se tornando uma criança em suas atitudes e personalidade, não se controlava mais para ir ao banheiro, tinha que limpá-la constantemente. Minha paciência e cansaço estavam no limite, mas nunca a deixei perceber isso, tentei trata-la com muito amor e carinho, mesmo quando não me reconhecia ou até em seus momentos agressivos. Aguentava tudo isso pela única razão plausível, ela pode não ter me dado à luz, mas me deu vida e ensinou-me a viver. Se hoje estou viva é por causa dela. Construir a minha própria família, tentar conquistar meus sonhos... Enfim, EU POSSO VIVER e ela foi quem me proporcionou isso. Não há palavras no mundo que consigam explicar o tamanho do amor e da gratidão que sinto.

             Um dia, em um momento de lucidez, minha avó me chamou pelo meu nome e pediu para que sentasse ao seu lado, eu rapidamente o fiz. Ela colocou sua mão frágil em meu rosto e disse. - Filha, sei que estou lhe dando muito trabalho, agindo como criança, às vezes sendo agressiva, não podendo me controlar para ir ao banheiro ou até mesmo quando esqueço como falar algumas palavras, então me escute com atenção. Muito obrigada por ter paciência comigo, por me limpar e por me ensinar a falar, assim como um dia eu fiz tudo isso por você também. Posso não lembrar quem é você ou não entender o que está me falando, mas sempre entenderei os seus abraços e os seus carinhos.

                  E esse foi seu último momento lúcido.


FIM




OBS.: Essa estória foi baseada em uma carta de mãe para filha que encontrei por acaso na internet, tentei buscar sua fonte original ou sua autora real, mas não consegui achar, simplesmente é uma carta anônima e com um texto lindo que me inspirou a criar esse conto.








Autora: Jéssica Fidélis.
Texto revisado por: Emília Lima.


TODOS OS DIREITOS RESERVADOS







Nenhum comentário :

Postar um comentário

Críticas sempre são bem-vindas, melhorar ainda mais nossa qualidade é o que queremos!! Então fiquem à vontade para expor aqui suas opiniões!! Não se preocupem, não permitiremos nenhum comentário chulo que venha a denegrir alguém ou o nosso próprio blog, afinal é para isso que existe a moderação de comentários!! Sendo assim, agradecemos desde já sua crítica ou opinião!! E aproveitem bem nossas estórias com sabedoria, educação e mente aberta para as possibilidades!!

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.